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FLIP 2008 DIRETO DE PARATY


Chimamanda e Pepetela falam sobre a guerra

05/07/2008
Da Redação BAIXADA NEWS

A primeira mesa de hoje na Flip, teve como tema discutido a Guerra, entre os convidados, o angolano Pepetela e a nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie. "Os escritores africanos quase não nos encontramos, a não ser em conferências no Brasil e na Europa", disse o angolano Pepetela. Talvez esses encontros devessem ser mais freqüentes. Foi um dos melhores debates desta Flip até agora, e para isso colaborou o escritor angolano José Eduardo Agualusa, que soube adaptar suas perguntas ao andamento da conversa, dando ao encontro um clima de bate-papo que faltou em algumas mesas por demais formais.

Tema de livros de ambos ao autores, a guerra, foi o assunto central da conversa. Pepetela comentou sobre a dupla posição de ficcionista e ex-guerrilheiro (lutou na guerra de libertação de seu país), e contou tão bem suas histórias do tempo de combate que Chimamanda chegou a soltar um "te ouvindo, quase lamento não ter lutado numa guerra civil". Mais nova, ela disse que conheceu a história da guerra civil de Biafra por relatos dos seus pais, e de amigos da família que interrogava obsessivamente, a ponto de se tornar um incômodo: "acho que quando tínhamos visitas meus pais torciam para que eu ficasse no quarto".

Não foi uma conversa sobre atrocidades e horrores. Os dois falaram da guerra como um momento de emergência da verdade, um período em que as pessoas se confrontam consigo mesmas de modo radical, e descobrem aí coisas inesperadas. Pepetela lembrou que sua conversão em guerrilheiro não foi planejada, mas resultado de sua desorientação durante um conflito que cobria para uma rádio angolana.

- Eu comecei a narrar os tiros e ataques como se fossem um jogo de futebol, me movimentando pela linha de frente. Mais tarde aprendi que durantes ataques assim, o que se deve fazer é recuar - disse, fazendo a platéia rir. - Mas minha atitude foi interpretada como de muito coragem, e assim acabei me juntando aos guerrilheiros.

Ele lembrou ainda que os comandantes angolanos precisavam ter o corpo fechado para serem respeitados por seus subordinados. Agualusa brincou que ele estava assim já protegido dos ataques dos críticos literários: "É bom que tenhas o corpo fechado".

- O corpo sim, mas minha alma não - Pepetela respondeu. Foi um dos momentos emocionantes da mesa. Em outra frase bonita, ele definiu a coragem como "saber que se tem medo e fazer o que se tem que fazer mesmo assim". E foi intensamente aplaudido quando, em resposta a uma pergunta de Agualusa, disse que não se arrependia de ter participado de uma guerra: - Tenho muito orgulho de ter podido participar da libertação do meu país.

Com informações da Organização da Flip e Tv OI

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